MAURO BRANDÃO, mineiro de Caeté, escritor, poeta e músico, é Bacharel em Ciências Econômicas pela U

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Sobrevoando os aeródromos das palavras, Mauro Brandão - descendente hereditário da verve literária de Guimarães Rosa (a avó paterna, Georgina Pinto Rosa era prima de primeiro grau desse grande escritor) se lança no mundo da literatura através do seu livro, o romance Claraluz e o Poeta, lançado em outubro de 2014 pela Editora Letramento. Outros projetos literários estão sendo concebidos: "Coletâneas Virtuais I", poesias; "Na Solidão do Outro", romance psicológico; "Tempestade Magnética", ficção científica; "A História do Homem e do Universo: crítica ao fundamentalismo", ensaio filosófico; "Voltei Formiga", realismo mágico; "O Descobrimento de Outro Mundo", ficção científica; "Brincando de Deus", realismo mágico; "O Ladrão das Artes", infanto-juvenil; "De Volta ao Presente: história de alguns", contos; "Os Guardiões da Luz", segundo livro da trilogia de Claraluz e o Poeta; "Olavo e o Mestre", autoajuda.

Mauro Brandão é músico, tecladista do Coral Juvenal Alves Vilela e fundador e membro da banda Nova Estação

sábado, 24 de novembro de 2012

marcha soldado....



ESCRAVOS CONTEMPORÂNEOS




Meu amor é cartão de crédito
dividido em quarenta e oito prestações.
E o meu carro se realiza
Em sonhos de montadoras.
Paixão de plástico,
Orgasmos de vitrine,
Prazer de refrigerante.

A minha poesia é concreto
polietileno, borracha de pneus na estrada.

A minha escola atrofia-nos.
Diplomação de viseira,
em troca da esmolinha recheada.
Permuta do salame ao presunto.

Minha cota do chicote é cibernética.
Pelourinho virtual.
Meu chicote é de ouro,
ouro que dói no couro,
e brilha mais que o do vizinho.

Minha mulher é de alumínio,
meus filhos são chips,
minhas amantes são softwares,
programados para reproduzir
o torpor da TV,
risos sem graça em cérebros de ameba.

Morro pelo meu time
na arena dos leões de ferro.
Meu ferro, que para lá vale um,
E para cá vale mil.

Sou programado para ser feliz
entre o intervalo de 12 horas de trabalho,
6 horas de insônia,
3 horas de preocupações
com contas a pagar,
o ladrão a me espreitar,
o super-hiper-mega-supermercado a me furtar,
e o médico a me dizer,
que se eu não parar de fumar vou morrer.

E me sobra meia hora de cerveja e cachaça,
para eu ser feliz e esquecer quem sou.

Pois sou feliz quando dispo-me do robô.
E despreocupado, canto uma cantiga de amor.


Tela: "Operários de 1933", de Tarsila do Amaral

[Mauro Brandão - 20/11/2012]

***

Foto: FAKE

Faz-de-conta, fake a face.
Faz-se de canto, faro fake fadado a facear.
Facetar, escamotear,
Faca amolada, fake amotinado...

Quantos de ti são apenas um?
Deveras saber, quantos fakes.
Quantas faces, quantas facas?
Mil faces em um fake só...

Fake de si, fake de muitos.
Muitos em um, um em muitos.
Face, fake, facetas, faceiros.
Tu és nós, nós somos um!

[Mauro Brandão - 26/10/2012]
...

FAKE

Faz-de-conta, fake a face.
Faz-se de canto, faro fake fadado a facear.
Facetar, escamotear,
Faca amolada, fake amotinado...

Quantos de ti são apenas um?
Deveras saber, quantos fakes.
Quantas faces, quantas facas?
Mil faces em um fake só...

Fake de si, fake de muitos.
Muitos em um, um em muitos.
Face, fake, facetas, faceiros.
Tu és nós, nós somos um!


[Mauro Brandão - 26/10/2012]

***





CICLETERNO

O homem se perde no cheiro da mulher.
A mulher se perde no cheiro da vaidade.
A vaidade se perde no cheiro do dinheiro.
O dinheiro se perde no cheiro do homem.

***







CONFIDÊNCIA DO CAETEENSE
Mauro Brandão

Talvez ainda, meu neto, filho do meu pai,
comemoraremos o dia calendarial da natureza com merecidas festas.
Se fossemos puros como animais, nem precisaríamos comemorar.
Comemoraríamos no palco da existência assim, do jeito que é.
Só!
Mas temos dinheiro para nos iludir, e o dinheiro tem Poder!
Poder de destruir,
Poder de arrancar lágrimas de onde não deveriam arrancar,
De fazer falsas belas loiras carregarem ouros verdadeiros em seus braços e pescoços,
para ostentar os buracos que os homens escavam,
e que jamais virarão árvores, águas, pássaros, coelhos, capivaras, aranhas,...
e jamais um belo quadro que nem todo dinheiro que já se fabricou poderá nos fazer deslumbrar.
O ouro e ferro no pescoço das falsas belas e gostosas loiras dos rodeios me faz querer ser Drummond,
que pingou suas letradas lágrimas nos cortes desérticos da outrora florida Itabira.
E que das lágrimas se fez o poeta além daquilo que já não vale.

Homens te agridem por achar dinheiro nas pedras vermelhas.
Homens te desdenham por enxergar dinheiro debaixo das cascatas.
Homens se perdem no mar de dinheiro por acreditarem serem animais algo (algo?) sem importância.
Homens vendem alma para alimentarem-se de dinheiro.
Homens alimentam-se de dinheiro em troca de água e ar.

Mas homens jamais comprarão palavras vivas e eternas.
E enquanto a carne das falsas loiras belas apodrecem no ouro que ostentam em seus pescoços e braços.
As palavras-vivas, águas-vivas, queimarão a ganância humana que respira e bebe dinheiro.
E assim, meu poeta das Itabiras, anjo Drummond!
Me permita, só agora, ser Você!
Para que eu, sendo você, seja escutado nas entranhas profundas da terra.
E das entranhas profundas da terra, grite e desentupa os ouvidos dos homens cheios de dinheiro e vazios de alma.


CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO
Carlos Drummond de Andrade

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.


***



Morreu...
Morreu de inanição, por matar seu alimento.
Morreu por matar o debate, a liberdade.
Morre-se de fome e de ideias.
Morre-se na ausência de ideais e de ausência de fome.

Há de se ter fome, de pão e de justiça.
Fome de vontade e de brilhar.
Fome de pensar, do pensar do outro.
Pois só se pensa o outro em si.
Pois em si, cabe todo o universo e o outro.

Assim, se o outro não vê o outro.
Morre o outro na ausência do outro.
E nenhuma retórica vai nos convencer.
Que novo não é só uma palavra vazia.

Novo é estrela que brilha nova no céu das vontades.
Vontade de fazer de novo, tudo aquilo que envelheceu.
Envelheceu na alma de quem não quer o novo.
Mesmo que diga que é novo e vem para o novo.

Por isso, só será novo aquele que se abre.
Abre à criança, ao jovem e ao velho.
Abre-se! Se abre ao novo que é velho e é sempre.
E se não se abre, morre, morre-se e se morre!

[Mauro Brandão]

Site desta imagem: http://www.vidainteligenteonline.com/colunas/44,sobre-edital-profissional-e-pa-de-cal.html

***




MERDADORIA


O dinheiro é merda...
que trás dinheiro...
que trás merda...
que atrasa o dinheiro...
que atrasa a merda...
que vem através de merda...
que vem através de dinheiro...
que traz merda...
que traz dinheiro...
que trai merda...
que trai dinheiro...
que traga merda...
que traga dinheiro...
que entrega merda...
que entrega dinheiro...
que entra merda...
que entra dinheiro...
que entre merda...
que entre dinheiro...
que atrela merda...
que atrela dinheiro...
que treta merda...
que treta dinheiro...
que trata merda...
que trata dinheiro...
que trota merda...
que trota dinheiro...
que tritura merda...
que tritura dinheiro...
que frita merda...
que frita dinheiro...
que trafica merda...
que trafica dinheiro...
que trancafia merda...
que trancafia dinheiro...
que tramoia merda...
que tramoia dinheiro...
que treme merda...
que treme dinheiro...
que trama merda...
que trama dinheiro...
que tramita merda...
que tramita dinheiro...
que tremula merda...
que tremula dinheiro...
que emula merda...
que emula dinheiro...
que simula merda...
que simula dinheiro...
que sinaliza merda...
que sinaliza dinheiro...
que assinala merda...
que assinala dinheiro...
que inala merda...
que inala dinheiro
que anasala merda...
que anasala dinheiro...
que assola merda...
que assola dinheiro...
que solicita merda...
que solicita dinheiro...
que excita merda...
que excita dinheiro...
que incita merda...
que incita dinheiro...
que entala merda...
que entala dinheiro...
que farta merda...
que farta dinheiro...
que falta merda...
que falta dinheiro...
que 
falta 
faz 
farta 
merda 
do 
dinheiro
!

[Mauro Brandão - 19/07/2012]

***


Oração ao Governo de deus.

Oh deus que manda em tudo, e que pode fazer do mundo uma bola de fogo.
Livra-nos, oh deus-prefeito, deus-deputado, deus-presidente.
Dos arrogantes, dos chorões, dos cagões, dos ímpios da consciência.
Livra-nos dos mestres-burros, dos que fizeram orelhas em diplomas.
deus governante de tudo, faça-os entender a democracia, 
limpe-os as mentes, mostrem-lhes as cagadas que andaram fazendo.
Oh deus que transformará em inferno àqueles que não o seguirem.

deus teocrático de uma terra socrática e de mentes oligopolizadas!
Valei-nos mais das nossas capacidades do que dos erros dos outros.
deus que manda em mim, traga-nos capim.
deus que manda em todos, traga-nos uma poça de lodo.
deus que me faz olhar no espelho,
e me faz ver orelhas grandes, e quando falo, ouço relinchos.
oh deus! me faça entender porque, ao invés de melhorar, a minha tendência é só piorar.

Amãe!

***


Um dia da Mulher

Não é um dia. É o dia!
Um dia quem sabe, não precisará ser o dia?
O meu olhar nunca as entenderá...
Mas o meu amor nunca acabará!
Já amei, amo e amarei-as!
Mulher, mulheres... uma diferença além do sexo...
Irresistível ao aroma e ao paladar.
Pode ser de A a Z, mas é alfa e ômega!
Pode ser acima... ou abaixo... ponteiros de balança...
Que se quebrem as balanças, e que exaltemos as estrias!
A mulher é mais do que um modelo anoréxico!
É mais do que uma silhueta geométrica da Playboy!
A verdadeira lava a roupa na bacia da beira do rio.
A verdadeira assume quando todos desertam e deserdam.
O meu olhar não alcança a dimensão dos seus olhares.
Por isso enxergo-as assim! Tão miopiamente...
Por isso só posso reverencia-las.
Como injustamente não reverencio a minha própria mãe.
À cada mulher, a todos os dias, ao seu dia.
Ao seu dia, mulher de todos os dias.

***

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