MAURO BRANDÃO, mineiro de Caeté, escritor, poeta e músico, é Bacharel em Ciências Econômicas pela U

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Sobrevoando os aeródromos das palavras, Mauro Brandão - descendente hereditário da verve literária de Guimarães Rosa (a avó paterna, Georgina Pinto Rosa era prima de primeiro grau desse grande escritor) se lança no mundo da literatura através do seu livro, o romance Claraluz e o Poeta, lançado em outubro de 2014 pela Editora Letramento. Outros projetos literários estão sendo concebidos: "Coletâneas Virtuais I", poesias; "Na Solidão do Outro", romance psicológico; "Tempestade Magnética", ficção científica; "A História do Homem e do Universo: crítica ao fundamentalismo", ensaio filosófico; "Voltei Formiga", realismo mágico; "O Descobrimento de Outro Mundo", ficção científica; "Brincando de Deus", realismo mágico; "O Ladrão das Artes", infanto-juvenil; "De Volta ao Presente: história de alguns", contos; "Os Guardiões da Luz", segundo livro da trilogia de Claraluz e o Poeta; "Olavo e o Mestre", autoajuda.

Mauro Brandão é músico, tecladista do Coral Juvenal Alves Vilela e fundador e membro da banda Nova Estação

domingo, 25 de novembro de 2012

desejos secretos...



Para esquentar, num sábado de chuva, e inspirar beijos de chuva: palavras da lareira...

Tu queres de mim uma poesia.
Algo que te faça tremer e perder o juízo.
O que tu não sabes é que eu só quero te poetar.
Fazer do teu corpo o caminho das minhas palavras.
Dirigir em tua pele, milímetro a milímetro,
Guiar-me por minhas mãos ao volante de um trator...
Que abrirá em teu corpo estradas vicinais.
Fazer da minha boca um caminhão-pipa,
E te molhar; regar-te por toda a tua extensão.

Tu queres de mim um poema.
Algo que te faça sonhar e levitar.
Mas tu não sabes que eu só quero é me perder.
Na mata, sem mapa, sem bússola e sem direção.
E sem norte, te encontrar enfim.
Para que sem norte, nos percamos juntos,
E que juntos, jamais encontremos a saída.
Pois assim é que queremos; perder-nos!
Pois somente perdidos nos encontraremos em nós.

Tu queres de mim palavras versadas.
Algo que te faça desejar-me em ardor.
Mas tu não sabes que eu só quero te navegar.
Em ti, como um rio repleto de curvas...
Repleto de cachoeiras, relvas e pedras.
E em minha canoa, navegar-te-ei em ti e por ti.
Até que juntos, eu, e tu, rio, nos encontremos;
nas águas calmas do lago do nosso amor.
O nosso intenso amor que é estrada, mata e rio.

Palavras...
Estradas que se findam;
matas que incendeiam;
rios que se afogam...
Nos secretos desejos meus que são teus.

[Mauro Brandão - 10/11/2012]

***




VELHO POEMA VERMELHO

Vermelho que incendeia verdes verdades:
Vermelhamente quente é o sangue que corre em veias vermelhas.

Ver-me à mente, estremece corações vermelhos,
Vermelho que me vive e dá-nos vida,
Vermelha boca de um beijo ardente recheada de vermelho batom.

Vermelhando minha alma acesa por ardentes desejos vermelhos.
Vermelhados brotos que reluzem a vida... vermes vermelhos...
Vermelho dos olhos nas lágrimas que descem bailando.

Vermelha vida e vermelha morte se cruzando na velha existência vermelha.
Vermelho é meu sentimento que pulsa diante da tua alma vermelha...
Vermelhos sons, vermelhos ideais, em avermelhadas cores vermelhantes.

Vermelha é a estrada que nos espera, à brilhante luz de um sol vermelho.

[Mauro Brandão]

Tela Mulher de Vermelho - Vladimir Volegov


***


Foto: O cheiro de pêssego do teu sabonete... 
Amarelo pêssego em tua pele escorrendo, 
deslizando... 
Ressaltando o vermelho dos teus lábios, 
vermelho morango,... 
das relvas verdes quando abristes os braços, 
deixando a brisa envolver-te, 
a soprar de leve a tua saia... 
Brisa que entrelaça tuas pernas, 
Inebriando-me 
com o cheiro de pêssego do teu sabonete.

[Mauro Brandão]


O cheiro de pêssego do teu sabonete...
Amarelo pêssego em tua pele escorrendo,
deslizando...
Ressaltando o vermelho dos teus lábios,
vermelho morango,...
das relvas verdes quando abristes os braços,
deixando a brisa envolver-te,
a soprar de leve a tua saia...
Brisa que entrelaça tuas pernas,
Inebriando-me
com o cheiro de pêssego do teu sabonete.

[Mauro Brandão]

***

Foto: No amor, vive-se: a dor e o humor.
Ardor, em meio da dor.
Arder, em meio ao humor.
Amor: é arder no ardor...
Amor: é ardor no arder...
No amor vive-se: o humor e a dor.

[Mauro Brandão]

No amor, vive-se: a dor e o humor.
Ardor, em meio da dor.
Arder, em meio ao humor.
Amor: é arder no ardor...
Amor: é ardor no arder...
No amor, se vive: o humor e a dor.

[Mauro Brandão]

***


Aaaah!...
Se eu fosse o cisco dos seus ói...
Iria ser o seu olhar.
E eu, cisco,
olharia do seu olhar para mim.

E aí eu, cisco corisco,
saltaria pro seu coração, caído dos seus ói,
e que de cisco,
viraria flecha
e fisgaria ocê pra mim.

[Mauro Brandão]


***





Sigo teus passos como um animal segue a sua trilha.
Busco tua seiva, tua essência.
E onde tu estiveres, em teu encalço lá estarei.
Busco o teu cheiro, a tua pele, as tuas entranhas, o teu calor...
Alimento a minha alma por teus desejos,
e os teus desejos, eu os desejo fundidos em mim.
Fundidos numa nova liga, desejados ardentemente em nossas fornalhas.
Assim, busco os teus passos,
pois nos teus passos encontrarei os meus.
E se desejares loucamente, te direi, desvairado: eu te amo!




***



Foto: SWEET AND PRECIOUS GIRL

Mesmo que tudo tenha sido dito... 
Sempre haverá palavras doces 
que encarregarão de dizer-te, 
Que tudo o que foi dito, 
Jamais terá o sabor da tua doçura. 

[Mauro Brandão]

SWEET AND PRECIOUS GIRL

Mesmo que tudo tenha sido dito...
Sempre haverá palavras doces
que encarregarão de dizer-te,
Que tudo o que foi dito,
Jamais terá o sabor da tua doçura.

[Mauro Brandão]



Ardência... ardor... acordar... dar... doar...
Arder... dor... adormecer... adornar... atordoar...
Ardência... incandescência... indecência... ciência...
Decência... cadência... clemência... ausência...

[Mauro Brandão]

Foto: Vento, vento... traz em mim teus beijos ventados...
Sopra ao meu ouvido tuas palavras beijadas.
Um dia aventadas em lembranças... brisas de amor.
Beije-me como o vento, que esvoaça por minha boca.
Vento... que voam lembranças que um dia sopraram,
Em minh’alma, apaixonadas brumas nascidas ao vento.

[Mauro Brandão]
...

Vento, vento... traz a mim teus beijos ventados...
Sopra ao meu ouvido tuas palavras beijadas,
um dia aventadas em lembranças... brisas de amor.
Beije-me como o vento, que esvoaça por minha boca.
Vento... que voam lembranças que um dia sopraram,
em minh’alma, apaixonadas brumas nascidas ao vento.

[Mauro Brandão]

***





Como posso não amar,
se o amor não acabou?

Amo em tua ausência,
sinto o cheiro da tua sombra.
Tua pele ausente esquenta
a saudade que me assola.
Sinto minha boca seca,
na lembrança da tua boca molhada.

Teu amor vive
ausente no meu presente...
Vivo o passado amado esmagando
o presente sem amor.

O amor não acabou,
mas não posso amar.
Então, amo o que se foi
como se nunca tivesse ido.

[Mauro Brandão]

***




AMOR ROMÂNTICO-PLATÔNICO

Esse amor, que me faz revirar na cama...
Das noites insones em que penso em você...
É amor que não precisa te ter, nem me saciar,
Pois o que me sacia é somente a sua presença.

Esse amor, que é mais forte que o cheiro da flor.
É mais forte que o vento que uiva.
É mais forte que o calor da minha pele.
É mais forte que as palavras não ditas.

Esse amor, apaixonado e não declarado.
Assinado, assinalado, entre olhares descuidados,
Permitido, invadido, mesmo que não oficializado.
Intenso, velado, como o existir que nos é revelado.

Esse amor, olhado de longe em beijos desejados.
Em beijos sonhados e às vezes roubados.
É um amor assim, livre e amarrado.
Consentido, e inevitável. Livre, e entrelaçado!

[Mauro Brandão}

***




É flor, é flô, é fulô!
Que flora, fulora e flôra.
E fala aos meus ouvidos sussurros de flor.
Que aflora, petála e incensa,
exalando seu cheiro de flor mulher.

Flô muié, fulô mulér.
Mulher fêmea, cabra fêmea.
Que me deixa assim, bebin por você,
quando vem em mim com esse cheiro...
Cheiro de flor, de fulô, de flô.

Venha à mim, mulher-flor,
que meu sonho é te despetalar.
e te esparramar no jardim do sonho.

Jardim-sonho meu de mim pra você.
Jardim secreto, florido por você, flor do meu jardim.
Flô, fulô do meu jardim.


Imagem: Abgail, di Cavalcanti.

[Mauro Brandão - 24/07/2012]



CHUVA NO SERTÃO

Quando chove no sertão, minha alma contorce por ti.
Chuva amada, amassada, pingos de paixão...
A cada sussurro meu em teu ouvido, chove no sertão.
A cada suspiro transpirado da minha pele, chove no teu sertão.
Chuva que me irriga a tua feminina fertilidade,
Chuva que encharca meu corpo sedento de ti.

Quando chove no sertão, teu sorriso me abriga.
Sinto em mim a tempestade do teu ardor.
E até o sol se molha de êxtase quando em ti chove.
Pois é chuva de amor, que esverdeia tuas entranhas.
Penetra-me nas águas por todos os meus poros.
E em ti, inunda-me as vias das tuas emoções.

Quando chove no sertão, não chove. Alaga-nos!
Alarga-me o pulsar do meu coração por ti.
Quebra-me barreiras, destrói-te paradigmas.
Brota-nos na pele sementes de furor.
Troveja, retumba, ricocheteia, estremece, abala.
A chuva do teu sertão, e que nos faz assim, Ser Tão.


***





Se eu fosse um rio,
De um beijo faria a minha nascente.
Escorreria por tua boca, desceria pelo teu pescoço.
Entre teus seios, me faria afluentes.

Encontraria outros rios meus percorridos de tuas costas.
Alargado, faria do teu umbigo uma ilha...
E eu, atrevido rio, desceria destemido como canoa,
e ao desembocar em teu monte proibido...
Cairia como cascata no lago do nosso amor.

Lago formado por meus rios nascidos dos teus pés,
rios atrevidos corridos em tuas coxas.

Rios meus encontrando, afinal, nesse lago final.
E sendo lago, nadaria calmo pelas águas de paixão,
que é rio, e feito água, escorreria sempre em nós.

Águas-vivas sempre novas de um mesmo rio, sempre rio...

[Mauro Brandão – 22/06/2012]

***


EM UM CABARÉ PERNAMBUCANO
(rimas do repente)

Velhas teclas de um velho piano,
Sobra-me apenas os dois dois de copas.
Olhares em descaso nos degraus de escadas
escondem-se desejos cobertos de pano.
Vibrante vermelho de um doce batom,
entrebrilhando como vagalume ao neon.
O salão era o sentido de gentes sem mundo
onde n'algum dinheiro ganha-se a vida,
afogando-se em uísque, encontro-a perdida,
era ela, a mulher que me encontrava amando.

Agora me restara apenas um plano,
ziguezagueando sôfregas entre as mesas.
Damas, camélias, cálidas princesas,
mas só enxergava a ti naquele aceno.
Neblinas de cigarros marcavam o tom,
sonhavas distante debaixo do edredon...
Volúpias, paixão, razão padecendo,
Assim tu me vinhas sempre atrevida.
Insolente veneno, me eras intrépida,
escravo assim fui de ti me tornando.

Em desvarios, me encontro insano
em mágoas, companhia das marias bêbadas.
Toda fortaleza se rende às fraquezas
da tua pele macia, exalas veneno.
Felina pantera do Armagedom,
de todo o belo, de tudo que é bom,
naquele salão nos amamos dançando.
Hoje sofro por minha memória estúpida,
glórias de dias de felicidade cálida,
beijos molhados em moet chandon.

[Mauro Brandão - 06/12/2012]

Site dessa imagem: http://capa-bode.blogspot.com/2009/10/morte-do-cabare.html
Tela: Morte no Cabaré - Tintoretto


***


FLOR DO SERTÃO

Vermelhos beijos, com cheiro de terra...
Cheiro de Flor do cerrado, 
sertão vermelho,
Ser Tão vermelho... 
Assim como é vermelho o nosso sangue,
Que se rubra diante do nosso amor.

O nosso canto, Ser Tão, é assim...
Vermelho como o suor do sol.
Irradiante sol de arco-íris avermelhados.
Que nos esquenta, queima e reluz.

Beijos melódicos esvoaçam-se no céu vermelho...
Céu de jagunços, 
céu de amores sertaneiros.
Amor brotado em flor, 
uma flor bela do chão vermelho,
Como notas, pássaros saídos do cantar do sertão.

Vermelho sertão, 
rubra mulher - harmonia que é Ser Tão...
Sertão dos meus sonhos de sol, 
encantados num canto.
Onde canto, em serenata, uma cantiga vermelha,
A uma flor-mulher, 
vermelha como o amor do sertão.







Uma pantera ferina.
Uma mistura de vigor e silêncio;
garras afiadas
que brilham seus olhos no breu da noite
que se guia por meu cheiro.

Seus instintos afloram.
Me encontra!
Sua alma felina me lambe,
sente o sabor das minhas emoções
de estar diante de uma mortal felina,
que neste momento
me fita e me cheira
prestes a devorar-me...


[Mauro Brandão]

***





Lembranças...
instantes únicos eternizados na fogueira da saudade.
Instante que não tem régua para medir e balança para pesar.
Instante,
de tão pequeno que é,
que cabe num ponto,
infinitos pontos de instantes eternos.

Mas...
o quão imenso é um instante,
que depois do seu ínfimo pulsar,
se alastra como fogo no mato seco,
nas cercanias infindáveis do nosso amor.



[Mauro Brandão]


***




Um dia chegará!
Aos meus olhos por teus pés.
Aos meus sonhos por tuas mãos.
Falarei a língua do teu coração,
no dia que esse dia chegar

[Mauro Brandão]


***





Esse pecado dá samba.
Ou valsa, quem sabe ao som de um bolero?
Num salão enfumaçado, um feminino perfume, sob a luz neon...

É pecado! É pecado? Pecado não é!

Pecado concedido, pedido, rasgado, apagado, pregado...
Um pecado despetalado, de mil cores, pecados capengas...
Pecado vermelho, ou seria lilás?
Brancos e negros perfumes, de toques sutis, ou nada sutis...

Ou é pecado, ou é vida!
É pé! Pé-de-samba, pé-de-valsa, pé-de-moleque.
Que peca, que dança, que valsa.
Da vida que se peca, dança.

Pecadança, dansapeca, só não dança quem não peca.

inspirado em uma poesia da poeta Geane Masago.

[Mauro Brandão - 12/10/2012]

***



Lilás, aliás, 
será a minha joia a te dar em laço lilás.
Aliás, 
serei lilás em tua vida, que brilha lilás.
Uma rosa lilás... 
de pétalas rosas e cheiro lilás,
ou uma roxa paixão, 
rosa roxa, 
roxa rosa, 
aliás, lilás.

Inebriaremos em vinho, 
um tinto vinho lilás.
Que nos remete a uma encantada alma lilás.
E se é lilás que te encanta, 
te darei meu sangue lilás.
Sonhando com sua boca lilás, 
seus olhos, 
em vinho, 
brilham lilás.

A tua pele rosa, 
teu corpo ardente, 
tremula num beijo lilás.
Aliás, 
somente um inesquecível e apaixonado beijo lilás.


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